A IA e os 60+: entre desafios, descobertas e boas risadas

Secretaria de Educação de Vitória, Espírito Santo, Brasil

Aprender algo novo depois dos 60 anos pode parecer um grande desafio. Aprender Inteligência Artificial, então, pode dar aquele friozinho na barriga! Mas foi justamente esse desafio que me fez perceber que idade não precisa ser um limite para aprender, experimentar e acompanhar as transformações do nosso tempo. Tenho mais de 60 anos e confesso: aprender a trabalhar com Inteligência Artificial não é tão simples para mim. São muitos programas, aplicativos, ferramentas, comandos e possibilidades surgindo o tempo todo. Às vezes, parece que, enquanto estamos aprendendo uma ferramenta, já apareceu outra! Mas existe uma coisa que não quero: ficar desatualizada. Quero aprender. Quero experimentar. Quero descobrir como a IA pode facilitar meu trabalho e, principalmente, quero continuar fazendo parte dessa nova geração tecnológica. E, nessa caminhada, também surgem situações muito divertidas.

Outro dia, publiquei no status do WhatsApp uma foto de um vaso sanitário. Pouco depois, recebi uma mensagem do meu neto:

“Vó, tira do seu status a foto dos vasos da escola! Tenho certeza de que você nem percebeu que fez isso.”

Ele estava certo! Eu realmente não tinha percebido. 😂

Naquele momento, entre uma boa risada e uma pequena vergonha, percebi que aquela situação representava muito bem o nosso desafio: a tecnologia está cada vez mais presente em nossas vidas, mas nem sempre estamos preparados para utilizá-la com segurança e autonomia. A Inteligência Artificial chegou para nos ajudar. Ela pode contribuir na organização do trabalho, na elaboração de documentos, no planejamento, na produção de materiais, na análise de informações e em tantas outras atividades. Mas, para aproveitar todo esse potencial, precisamos aprender. E aprender depois dos 60 tem um sabor especial. Talvez eu não tenha a mesma rapidez de um jovem que cresceu cercado por celulares, aplicativos e computadores. Talvez eu precise perguntar mais vezes: “Como faz isso?”. Talvez precise de um neto, de um colega ou de um tutorial para descobrir onde clicar.

Mas tenho algo que nenhuma tecnologia substitui: experiência de vida, vontade de aprender e coragem para recomeçar.

Acredito que precisamos falar mais sobre a inclusão digital das pessoas com mais de 60 anos, especialmente dentro do serviço público. Não basta disponibilizar novas ferramentas e esperar que todos saibam utilizá-las. É preciso oferecer formação, paciência, apoio e espaços seguros para experimentar e errar.

Precisamos criar uma cultura em que perguntar não seja motivo de vergonha.

Porque ninguém nasce sabendo usar Inteligência Artificial.

E, sinceramente, acho que até os mais jovens precisam aprender que tecnologia não significa apenas apertar botões. É preciso desenvolver pensamento crítico, responsabilidade, criatividade e bom senso para utilizar essas ferramentas.

Minha experiência tem me ensinado que a IA não precisa ser uma ameaça para quem tem mais idade. Ela pode ser uma grande companheira de trabalho.

Estou aprendendo a conversar com a IA, a fazer perguntas melhores, a revisar textos, criar ideias e descobrir novas possibilidades. Às vezes acerto. Às vezes erro. Às vezes faço uma pergunta e recebo uma resposta que me deixa ainda mais confusa!

Mas continuo tentando. Porque envelhecer não significa parar de aprender.

Ao contrário: talvez uma das maiores demonstrações de juventude seja justamente ter curiosidade para descobrir algo novo. Por isso, minha mensagem para quem tem 60, 65, 70 anos ou mais é simples:

Não tenha medo da Inteligência Artificial. Tenha curiosidade. Pergunte. Teste. Aprenda. Peça ajuda. Erre. Tente novamente.

E, se algum dia você publicar por engano a foto de um vaso sanitário da escola no seu WhatsApp, não se desespere. 😂

Talvez seja apenas mais uma história engraçada para contar sobre sua jornada de aprendizagem tecnológica.

Afinal, a IA pode até ser artificial, mas a nossa vontade de aprender continua sendo genuinamente humana.

E eu? Continuo aprendendo.

Aos 60+, com um pouco de dificuldade, algumas boas risadas e muita vontade de não ficar para trás. Porque o futuro também é nosso!