** Este artigo de opinião foi escrito por Paula Bisiau, Subsecretária de Mobilidade Sustentável e Segura da Prefeitura de Buenos Aires, Argentina. Este artigo foi escolhido como um dos finalistas no concurso de redação ** [** mulheres no governo **] da Apolitical (https://apolitical.co/women-in-public-service-writing-competition/) **. * *


Às vezes, as circunstâncias históricas nos dão a oportunidade de contribuir para movimentos sociais e culturais que são realmente transcendentais.

Acredito que hoje posso me contar entre os privilegiados.

Como outros países do mundo ocidental, a Argentina está passando por uma verdadeira “revolução feminina” que desencadeou uma onda impressionante de mudanças culturais e sociais em todas as esferas da vida social, tanto pública quanto privada. Por isso, a agenda de gênero tem ganhado importância no debate público e os movimentos de mulheres ocupam um lugar cada vez mais destacado no espaço político argentino.

Em novembro de 2017, foi aprovada uma nova lei que garante a paridade nas listas eleitorais e, em 2018, o debate sobre o acesso ao aborto, que só é legal em três circunstâncias, chegou ao Congresso Nacional pela primeira vez na história.

E o debate não foi apenas sobre a igualdade na representação política ou institucional: a dimensão econômica da desigualdade entre homens e mulheres também se tornou mais evidente, e a disparidade salarial de gênero foi abordada no discurso de abertura da Assembleia Legislativa do Presidente Mauricio Macri em março de 2018 Além disso, lançou o Plano Nacional de Igualdade de Oportunidades e Direitos, principal instrumento de planejamento para fomentar políticas públicas que promovam a igualdade de gênero.

** Acredito que o direito das mulheres à vida na cidade depende de sua capacidade de viver livremente, de desfrutar e criar a cidade e de "decidir" seus espaços públicos e seus usos **

Essa estratégia se concentra em quatro questões: autonomia na tomada de decisões; autonomia física; autonomia econômica; e a transformação cultural como objetivo transversal. No governo local, nos deparamos com o desafio da sociedade, pois os cidadãos nos perguntam o que estamos fazendo para ajudar a fortalecer esse processo? Da mesma forma, como podemos traduzir essa imensa transformação social e cultural em ação em um ambiente urbano?

Como mulher e como funcionária pública, a minha responsabilidade é ainda maior: para mim, é uma questão de solidariedade de género, mas também de gestão política.

Redesenhando a cidade para todos

Acredito que o direito das mulheres à vida na cidade repousa em sua capacidade de viver livremente, de desfrutar e criar a cidade e de "decidir" seus espaços públicos e seus usos.

Nesse sentido, a incorporação de uma perspectiva de gênero no planejamento urbano trata de problematizar como a cidade e seus espaços contribuem, fortalecem e reproduzem papéis e estereótipos de gênero e que visíveis. Trata-se de reverter um urbanismo que foi projetado por e para homens e ajudar a inventar uma cidade que também é para mulheres e todos os grupos humanos.

Com esse espírito, começamos em 2017 a investigar e trabalhar na implementação de um Plano Integral de Mobilidade e Gênero da Secretaria de Transportes, com a intenção de sermos capazes de introduzir mudanças concretas e reais no setor de transportes (tradicionalmente dominado por homens) com uma perspectiva de gênero.

** Até o momento conseguimos aumentar o número de mulheres que trabalham no setor de transportes, tanto em cargos de gestão como também aumentando o número de mulheres ao volante de táxis, metrôs, ônibus e agentes de segurança viária e de trânsito **

Tínhamos vários objetivos que queríamos alcançar: erradicar a violência e o assédio nos espaços públicos e nos transportes urbanos; a incorporação da perspectiva de gênero ao transporte coletivo, garantindo a segurança em todas as vias urbanas; a inclusão das mulheres como trabalhadoras do setor de transportes; a modificação dos padrões culturais de gênero enraizados na sociedade, especialmente por meio de campanhas massivas de comunicação e educação.

Para cumprir esses objetivos, propomos quatro elementos de ação em nosso plano que abordam a inclusão, a prevenção da violência e a proteção da mulher no espaço público urbano e, em particular, no transporte. Estes foram:

  • Desenho e planejamento urbano com perspectiva de gênero
  • Inclusão da mulher no mercado de trabalho
  • Produção de dados e estatísticas sobre mobilidade urbana
  • Comunicação e conscientização.

Um novo caminho para a igualdade de gênero

O plano já foi posto em prática e até agora conseguimos aumentar o número de mulheres que trabalham no setor de transportes, tanto em cargos de gestão como também aumentando o número de mulheres ao volante de táxis, metrôs, ônibus e rodoviários agentes de segurança e trânsito.

Iniciamos uma grande campanha de comunicação e conscientização sobre o assédio sexual nas ruas nos transportes públicos, com grande impacto em toda a cidade de Buenos Aires; lançamos programas de capacitação de funcionários públicos da Prefeitura em questões de gênero e elaboramos um diagnóstico completo e homogêneo da problemática da mulher em nossa Cidade, fundamental para o desenvolvimento de uma estratégia de médio e longo prazo.

Essas ações concretas foram possíveis em um período muito curto de tempo porque há mulheres em cargos de decisão em todo o Governo da Cidade de [Buenos Aires](https://apolitical.co/solution_article/buenos-aires-city -para-mulheres /) que conhecem e entendem as necessidades das mulheres e que trabalharam juntas para que isso acontecesse. Isso é o que significa irmandade na prática.

Ser mulher na política nem sempre é fácil, mas ver esse tipo de solidariedade em ação nos fortalece e nos faz trabalhar mais a cada dia. Juntos, podemos fazer a mudança acontecer. - Paula Bisiau

_ (Crédito da imagem: Unsplash) _