** Este artigo foi escrito por Patricia Almeida, coordenadora de inovação e estratégia digital da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodolfo Vaz, coordenador de soluções digitais para transparência da Câmara dos Deputados, e Luis Kimaid, CEO da Bússola Tech. **
A pandemia Covid-19 exige que coloquemos muitas de nossas atividades diárias online.
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Todos nós estamos aprendendo a usar novos aplicativos e tecnologias de comunicação no lugar do nosso contato social habitual, seja para fins profissionais, pessoais e também para exercer nossos direitos democráticos como cidadãos.
** A atividade parlamentar - como a representação do eleitorado, o processo legislativo e a supervisão do governo - é essencial para a vida nas sociedades democráticas **
Não podemos limitar a democracia, então ela só é exercida em “tempos normais”. Na verdade, é ainda mais necessário em tempos de crise, como o que vivemos agora, que exige um debate mais amplo e o escrutínio do processo de tomada de decisão.
A atividade parlamentar - como a representação do eleitorado, o processo legislativo e a supervisão do governo - é essencial para a vida nas sociedades democráticas e para verificar os limites do poder executivo. Porém, em tempos de distanciamento social, é necessário encontrar novas formas de exercer esse poder. A solução, defendida por várias casas legislativas em todo o mundo, tem sido implementar um sistema remoto para os parlamentos deliberarem.
Todas essas soluções compartilham um nome comum, mas isso esconde uma grande variedade de complexidade nos sistemas: desde sistemas simples que usam ferramentas de videoconferência e aplicativos de mensagens privadas até sistemas robustos que permitem que os legisladores realizem suas tarefas quase da mesma forma que eles teriam antes da pandemia.
Parlamento virtual do Brasil
De acordo com o mapeamento da Bússola Tech's, várias casas legislativas brasileiras - como a Câmara dos Deputados, o Senado e a Câmara Municipal de São Paulo - desenvolveram um sistema de controle remoto deliberações, com um número crescente de Câmaras Municipais e Assembleias Estaduais brasileiras também implementando soluções para manter suas atividades em ambiente virtual. A Câmara dos Deputados do Brasil está no estado da arte no desenvolvimento desse tipo de solução.
** O que era necessário era mais do que uma ferramenta de videoconferência **
Sob a liderança do presidente da Câmara Rodrigo Maia, no dia 17 de março a Câmara começou a trabalhar em uma solução para manter sua capacidade de votar e deliberar durante o bloqueio. Em primeiro lugar, a [resolução 14/2020](https://www2.camara.leg.br/legin/fed/rescad/2020/resolucaodacamaradosdeputados-14-17-marco-2020-789854-publicacaooriginal-160143-pl.html# : ~: texto = RESOLU% C3% 87% C3% 83O% 20DA% 20C% C3% 82MARA% 20DOS% 20DEPUTADOS% 20N% C2% BA% 2014% 2C% 20DE% 202020, coronav% C3% ADrus% 20 (Covid % 2D19% 29.) Foi elaborado e aprovado para permitir que a equipe do departamento de inovação e tecnologia (Ditec) começasse a trabalhar em uma solução. Uma semana depois, foi realizada a primeira sessão do novo andar virtual na Câmara dos Deputados com a participação de mais de 500 membros.
O principal desafio era desenhar uma solução que pudesse acomodar 513 membros de acordo com os procedimentos da Câmara. Em outras palavras, o que era necessário era mais do que uma ferramenta de videoconferência. O desenvolvimento dessa ferramenta exigiu da equipe responsável pela incorporação de recursos que pudessem apoiar o processo legislativo, com ênfase em dois recursos críticos: registro de presença e votação.
A segurança foi imediatamente identificada como um elemento crucial na arquitetura tecnológica. A solução deveria ser segura para garantir a representatividade, o sigilo e a autenticidade do associado.
Como as sessões são públicas, optou-se pela tecnologia de videoconferência na nuvem, o que agilizou sua implantação.
Novas contas (com usuários e senhas) foram criadas para que os membros não precisassem usar sua conta de rede interna na Câmara dos Deputados (o que era possível via integração, mas evitado por motivos de segurança). Para permitir a verificação e confidencialidade no registro de votação dos membros, o sistema foi projetado para permitir [digital](https://apolitical.co/en/solution_article/everyone-loves-digital-government-but-what-is -ela) separação entre as aplicações relacionadas com o processo legislativo e o serviço de videoconferência.
Um serviço de videoconferência externa e privada, que poderia ser mantido separado da ferramenta de suporte à votação, foi escolhido para ser a interface dos associados acoplado ao aplicativo [Infoleg](https://www2.camara.leg.br/infoleg / aplicativo /), que já havia sido desenvolvido. Lançado em 2016, o Infoleg foi atualizado com novas funcionalidades de cadastro de presenças e votação, que foi customizado especialmente para atender as demandas dessa nova realidade, e que só podem ser vistos pelos membros.
Votação de qualquer lugar
O Infoleg, que originalmente foi desenvolvido para que qualquer cidadão pudesse acompanhar o que acontece na Casa, permite que qualquer pessoa encontre informações sobre os membros, propostas, a agenda da Casa e muito mais. Formou-se assim um conjunto de funcionalidades que agregariam valor à atuação parlamentar, indo além de uma simples aplicação de votação digital (ver imagem abaixo).
A interface do Infoleg
O cadastramento dos smartphones no momento da autenticação dos membros, possibilitou um sistema de autenticação de dois fatores. A utilização de criptografia assimétrica (chaves públicas e privadas) reforçou o cumprimento das normas de segurança originais (ver imagem abaixo).
Como os membros votam no Infoleg
Como os membros votam no InfolegEmbora os votos sejam públicos, o sistema precisava permitir a confidencialidade e integridade até que o processo de votação fosse concluído. No esforço de reproduzir as funcionalidades disponíveis no piso real da Câmara, foram agregados ao Infoleg orientações de liderança, painéis presenciais e de votação.
Diretrizes de liderança, painéis de presença e votação no aplicativo Infoleg
O sistema conta com um autenticador que também permite aos associados apresentarem remotamente uma proposta de lei ou alteração. A partir do novo sistema, os projetos de lei e emendas recebem autenticação digital e acompanham todo o processo legislativo em formato digital. Isso permite que os associados assinem eletronicamente o documento antes de enviá-lo aos associados e coletar suas assinaturas, nos casos que requeiram autoria coletiva. Assim, o processo contempla todas as revisões nas comissões até a versão final votada.
A aprovação do Infoleg nas lojas de aplicativos foi um desafio diante da pressão de tempo, então foi criado um plano alternativo para o desenvolvimento de uma aplicação web para registro de presenças e votação dos associados, que só seria utilizada caso o aplicativo não estivesse disponível nas lojas de aplicativos. Todas as App Stores aprovaram a nova versão do App em um tempo sem precedentes, tornando o plano B desnecessário.
De forma a manter os padrões de responsabilização de um parlamento aberto, os fluxos de dados que suportam a transparência do processo legislativo foram mantidos com plena integração nos sistemas internos. Isso garantiu que as informações fossem disponibilizadas online no Portal da Câmara dos Deputados e em uma API no [Portal de Dados Abertos](https: //dadosabertos .camara.leg.br /).
As raízes vão fundo
Apesar desta crise, a continuidade do processo legislativo foi mantida em um parlamento dinâmico e remoto.
A estratégia de distanciamento social usada pelos governos para combater a Covid-19 pode assumir diferentes formas, desde o distanciamento social até o bloqueio. No Brasil, temos empregado um sistema híbrido, com membros no andar físico da Casa e também o sistema de deliberação remota. Isso permitiu que algumas das dinâmicas permanecessem offline, como acordos de liderança de partidos políticos. A infraestrutura que foi construída será um legado, e pode muito bem ser usada em crises futuras - por exemplo, sessões que são convocadas com urgência, ou devido a problemas de saúde dos membros, problemas regionais, etc.
** As decisões tomadas muito antes da crise fortaleceram uma cultura inovadora **
Os resultados preliminares mostram um alto índice de presença de associados e uma alta frequência de sessões. Enquanto o primeiro indicador retrata reuniões com participação entre 500 a 511 membros; a segunda nos traz frequências de sessões quase diárias, algo absolutamente novo.
Alguns dos fatores decisivos para o sucesso do piso virtual foram a utilização de diversos sistemas técnicos modulares, que aumentaram a flexibilidade e diminuíram o tempo de desenvolvimento das novas funcionalidades do Plenário remoto.
Sem dúvida, as decisões tomadas muito antes da crise fortaleceram uma cultura inovadora, baseada na expertise em uma série de produtos e [tecnologia governamental](https://apolitical.co/en/solution_article/heres-what-happens-when-tech- outpaces-Government) que poderiam ser rapidamente combinados e ajustados ao desafio lançado.
Parlamento é mais do que um edifício, é um valor democrático
O filósofo e historiador israelense Yuval Harari concluiu que nossa capacidade de colaboração é a vantagem comparativa mais forte que nossa geração tem em comparação com outras gerações anteriores que enfrentaram suas próprias pandemias.
** Funcionários públicos com as habilidades certas são essenciais para responder a desafios como o que enfrentamos agora **
Na comunidade legislativa, isso tem sido reforçado e percebido pelas inúmeras conversas que ocorreram sobre a arquitetura técnica necessária para fornecer um piso virtual. Um exemplo notável desse novo movimento é um conjunto de mais de 23 Casas Legislativas distribuídas pelo mundo, sob a coordenação da Câmara dos Deputados no Brasil. Este grupo permite uma ampla troca de experiências legislativas internacionais entre as Casas.
Entramos em uma nova era em que se exige flexibilidade do governo, o que, por sua vez, é fundamental para a melhoria da sociedade. Funcionários públicos com as habilidades certas são essenciais para responder a desafios como o que enfrentamos agora.
Um legislativo digital e resiliente é essencial para atender às expectativas em tempos de crise, de acordo com as regras democráticas. Se a maneira tradicional de fazer as coisas não for possível neste momento de crise, o legislativo deve se adaptar e continuar exercendo seu papel constitucional de conduzir os debates, mantendo um controle sobre a atuação do executivo. Para fazer isso, a criatividade e a colaboração são ainda mais essenciais do que ferramentas tecnológicas complexas. - Patricia Almeida, Rodolfo Vaz e Luis Kimaid
_ (Crédito da imagem: Unsplash) _

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