** Artigo escrito por Simone Costa Rodrigues Da Silva, Assessora de Mobilidade da Casa Civil da Cidade do Rio de Janeiro **


A cidade do Rio de Janeiro viveu um período de grande desenvolvimento urbano e expansão da infraestrutura devido aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos RIO2016.

Foi muito bom para mim ser gestora pública e fazer parte da equipe nesse ciclo.

Trabalhar em um projeto mundial de alta visibilidade como as Olimpíadas é algo em que poucos funcionários do setor público no mundo têm a oportunidade de trabalhar.

O trabalho significa lidar com pressões internas e externas, diferentes de tudo a que você está acostumado nos projetos diários da cidade. O principal problema para nós era administrar as dúvidas sobre se poderíamos realmente entregar esses projetos de maneira adequada e no prazo.

Adiar a entrega da infraestrutura ou de um local público é uma opção em circunstâncias normais, embora tentemos ao máximo evitar. Na preparação para os Jogos, no entanto, o adiamento simplesmente não era possível.

Todo o projeto envolveu 8 anos de expansão dos serviços e infraestrutura da cidade para mais 1,2 milhão de turistas durante os 29 dias que duraria o evento. O envolvimento era crucial. Aqueles que trabalharam diretamente comigo tornaram a jornada mais tranquila e agradável.

Algumas lições dessa experiência permaneceram comigo.

Primeiro, promova suas conexões

Apresente-os a pessoas de diferentes instituições, supervisione e permita que façam um bom trabalho. Transfira suas tarefas. Conscientize-os de todo o processo e incentive a participação nas reuniões. Ao trabalhar nos Jogos Olímpicos, não havia tempo para explicar as tarefas em um estágio posterior.

No meu caso, delegar e conectar minha equipe salvou minha vida.

Três meses antes da cerimônia de abertura, fiquei internado por 15 dias, 5 dos quais em uma unidade de terapia intensiva. Meu sistema imunológico estava tão fraco que desenvolvi tuberculose.

Eu estava supercomprometido com o projeto e preocupado em ficar longe. Minha equipe trabalhou bem, eu me recuperei e voltei em segurança ao trabalho. Quando voltei, muitas pessoas comentaram sobre o quão bem a equipe se saiu na minha ausência.

Segundo, respeite os dias de folga

A Operação Olímpica dura 21 dias contínuos sem interrupção. É fisicamente exaustivo.

Durante os próprios Jogos, fui responsável pela operação do Terminal de BRT do complexo olímpico principal. Decidimos que cada membro da equipe poderia ter 2 dias de folga, durante este período.

Não tivemos faltas, seja por doença ou qualquer falta de compromisso perceptível. Apesar de cansados, a maioria aproveitava os dias de folga para ir com a família aos Jogos.

Alguns anos depois, uma colega júnior saiu de férias durante a preparação do II Desafio COR. Foram 30 dias sem nenhum contato da minha parte. Quando ela voltou, me ligou preocupada, pois não tinha notícias minhas, achando que talvez ela não estivesse mais no projeto.

Na verdade, eu estava contando os dias para seu retorno, com uma lista completa de tarefas. Agora sei que devia ter dito pelo menos um “alô” nas férias.

Terceiro, cada detalhe é importante

Se você não planejar com antecedência, é improvável que consiga resolver os detalhes que faltam no final do projeto.

Pouco antes da cerimônia de abertura, percebemos que precisaríamos de mais bicicletários ao redor dos locais. Até então, no entanto, não tínhamos energia ou recursos suficientes para resolver este problema.

Os espectadores dos ciclistas apareceram em alguns locais e tínhamos centenas de bicicletas apoiadas contra postes de luz, barricadas - quase em todos os lugares que você esperaria. Isso me ensinou muito.

** Quarto, construa uma rede de parceiros **

Faça aliados dentro e fora da organização. Fizemos isso mesmo no desenvolvimento do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Cidade do Rio de Janeiro (PMUS-Rio).

A equipa técnica de mobilidade trabalhou em conjunto com uma equipa de jovens especialistas em redes sociais e sociedades civis como o ITDP e a Casa Fluminense. Tivemos centenas de cidadãos contribuindo para o plano usando diferentes ferramentas.

Quando tivemos uma mudança na gestão pública, foram as ONGs que garantiram que o plano continuaria como foi estudado antes.

A comunicação é a chave para o sucesso de um projeto. Também requer tempo e muita preparação.

Um bom exemplo dessa questão está no II Desafio COR, um hackathon para o Centro de Operação da Cidade, que teve como objetivo selecionar start-ups para desenvolver ferramentas que pudessem enfrentar os impactos das mudanças climáticas do sistema de ônibus do Rio de Janeiro .

Ao longo de 6 meses, com base em reuniões semanais, elaboramos as regras, instruções e problemas a resolver. Com 1 semana para o lançamento das inscrições, começamos a preparar o plano de comunicação. Foi exaustivo.

Tivemos que concentrar nossos esforços para atrair as start-ups usando nossas conexões pessoais, visitas a universidades e alcance de mídia social. No final, o esforço foi um sucesso: 26 equipes inscritas.

No geral, porém, é o engajamento de sua equipe que é crucial. Só assim é possível superar as dificuldades que se avizinham. - ** Simone Costa Rodrigues Da Silva **

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