_ ** Este artigo de opinião foi escrito por Maria Isabel Mejia, Especialista Sênior em Governo Digital e Inovação Pública do Departamento de Inovação Digital em Governo da CAF, o Banco de Desenvolvimento da América Latina. Para obter mais informações sobre o assunto, consulte nosso feed de notícias governo digital. ** _
Os países latino-americanos vêm implementando estratégias de governo digital há aproximadamente duas décadas.
Essas estratégias têm se concentrado na simplificação e digitalização dos serviços públicos, bem como na criação de canais digitais para que o cidadão interaja com o governo e participe do rumo da sociedade.
Ao mesmo tempo, essas estratégias trouxeram maior eficiência às administrações públicas, os cidadãos foram aproximados dos governos, maiores níveis de transparência e participação dos cidadãos foram alcançados e milhões de cidadãos puderam economizar tempo e dinheiro.
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No entanto, muitos desafios permanecem na integração da transformação digital: precisamos atualizar as habilidades e a mentalidade dos funcionários públicos para que possam aproveitar ao máximo as oportunidades digitais, mas também gerenciar os riscos que esta revolução digital traz consigo.
Ao mesmo tempo, os governos enfrentam maiores expectativas dos cidadãos “nativos digitais” do século 21, que exigem novas formas de governança, com estados mais ágeis, abertos e inovadores.
** O governo eletrônico é como andar de bicicleta **
Para determinar o estado da transformação digital na América Latina, o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) encomendou um estudo interno sobre o talento digital na região.
Neste estudo que supervisionei, concluímos que um desafio fundamental para os governos em sua jornada de transformação digital é a falta de talentos com experiência digital e o processo lento, mas necessário, de atualizar seus conhecimentos sobre novas tecnologias que estão crescendo exponencialmente.
É necessário talento humano especializado para tirar proveito dessas ferramentas. Para o setor privado, a demanda por esses especialistas já é tremendamente difícil de satisfazer - então imagine como isso é difícil para o setor público, onde os salários são normalmente mais baixos.
Mas que tipo de talento é necessário? Especialistas em TIC especializados não são mais suficientes, como era o caso durante a primeira geração de reformas do governo eletrônico na década de 1990 e no início de 2000.
Agora, o governo também precisa de conhecimento e habilidades em outras áreas de especialização, como inovação pública, ciência de dados e tecnologias emergentes como a Internet das coisas, blockchain, análise de big data e inteligência artificial.
Para continuar o processo de transformação, é fundamental que os servidores públicos se mantenham atualizados sobre as novas tecnologias, desenvolvam suas habilidades pessoais e tenham a oportunidade de aprender e desenvolver continuamente suas habilidades.
É como andar de bicicleta: você precisa continuar pedalando para não cair ou ficar para trás.
** Precisamos de habilidades digitais políticas **
Conduzir a transformação digital no setor público não requer apenas habilidades técnicas digitais. Habilidades digitais políticas também estão em alta demanda.
Uma lição da América Latina é que não é mais suficiente investir nas habilidades digitais dos escritórios de tecnologia da informação em órgãos públicos; conduzir a transformação digital requer formuladores de políticas que estejam cientes do potencial em dados e soluções digitais.
Da mesma forma, os funcionários públicos dos ministérios setoriais - como saúde, educação e segurança - e serviços de apoio, como compras públicas ou o serviço público, também precisam ter um bom conhecimento dessas ferramentas.
Nossa experiência na América Latina mostra que os funcionários públicos da linha de frente e o pessoal de apoio administrativo desempenham um papel crítico no processo de transformação para “fazer as coisas acontecerem”.
** O desafio para os governos **
Os governos também querem que as coisas aconteçam, mas enfrentam dois desafios principais: atualizar as habilidades digitais e aumentar a conscientização dos funcionários públicos por meio de treinamento profissional e gestão de habilidades digitais especializadas no setor público.
As escolas nacionais de governo tradicionalmente não investem em treinamento digital, mas as coisas estão começando a mudar.
** Os governos da América Latina tendem a ser lentos em seus processos de transformação **
No Brasil, por exemplo, a escola federal de governo está implementando um ambicioso programa de treinamento em transformação digital para servidores públicos por meio do [Capacita Gov.BR](https://www.enap.gov.br/index.php/pt/ iniciativa nossos-cursos / programa-de-capacitacao-em-transformacao-digital.
Uma das principais conclusões do estudo é a falta de estratégias e políticas públicas para gerenciar habilidades digitais nos países latino-americanos . Para enfrentar este desafio, a Espanha criou uma cadra profissional de especialistas em tecnologia no setor público, com um plano de carreira predefinido.
** Três inovações promissoras **
As entidades públicas precisam desenvolver estratégias inovadoras para atrair, reter e fazer a rotação do escasso talento digital. De acordo com a CAF, três caminhos promissores foram identificados na região:
** 1 . Alavancar laboratórios de inovação ** para melhorar os serviços e gerar soluções inovadoras para problemas públicos. Esses laboratórios fornecem pontos de encontro entre funcionários públicos, cidadãos, empresários, empresas de tecnologia e academia para promover a inovação pública.
Dessa forma, esses laboratórios tornaram-se mecanismos de porta de entrada para atrair talentos digitais especializados para atuar no setor público.
Algumas experiências que podemos destacar são o Laboratorio de Gobierno do Chile, o [LABGobAr](https://apolitical.co/solution_article/in-argentina-public -servants-get-Promot-for-learning-how-to-innovate /) da Argentina, o Gnova do Brasil e o [LabX](https: / /labx.gov.pt/) de Portugal.
** 2 . Use campanhas de conscientização ** por meio da mídia de massa e redes sociais.
Um bom exemplo é a iniciativa "Talento de TI" na Colômbia: Em um momento em que o interesse dos jovens em o estudo das carreiras em STEM havia diminuído consideravelmente, o governo colombiano, em parceria com algumas universidades públicas e privadas e associações de tecnologia da informação, lançou uma campanha de conscientização para atrair jovens para estudar carreiras em TI.
Nessa campanha, eles enfatizaram não apenas as oportunidades de emprego no setor público, mas também o compromisso com o serviço público e o bem público. Junto com o investimento feito pelo governo em bolsas de estudo, o número de alunos matriculados em carreiras em TI aumentou drasticamente.
Por exemplo, no Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Universidad de los Andes, o número de alunos matriculados no programa aumentou de 330 alunos em 2013 para 814 em 2019.
** 3 . Desenvolva acordos de treinamento ** com universidades, agências internacionais e empresas de tecnologia.
De acordo com o estudo encomendado pela CAF, esses acordos têm permitido que países como Costa Rica, Equador, Panamá e Peru formem servidores públicos e os motivem a se manterem atualizados e, ao mesmo tempo, despertem o interesse dos cidadãos em iniciar um carreira no serviço público.
** O caminho à frente **
Essas iniciativas não podem ser realizadas isoladamente. Para ter sucesso, os governos precisam de uma estratégia abrangente, cobrindo todos os aspectos, desde o recrutamento de novos talentos digitais, atualização do talento digital existente, treinamento de funcionários públicos, bem como gerenciamento dos especialistas em tecnologia existentes [trabalhando no governo](https: //apolitical. co / solution_article / government-is-getting-old /).
Deve haver uma estrutura de governança sólida, com uma entidade que lidera a estratégia de talento digital (que pode ser a mesma que lidera a agenda digital) e trabalho coordenado com instituições responsáveis pelo emprego público (normalmente a comissão de serviço civil), bem como aqueles encarregados de treinar funcionários públicos (normalmente, escolas nacionais de governo).
Por fim, os governos não podem investir apenas em talentos digitais. Eles precisam envolver as várias partes interessadas do ecossistema digital (universidades, empresas de tecnologia) e criar novas formas de parcerias público-privadas para fomentar o talento digital na sociedade.
Os governos da América Latina tendem a ser lentos em seus processos de transformação.
Investir em talentos digitais é a forma de acelerar esses processos. Ter o talento certo permitirá que nossos países aproveitem os benefícios das novas tecnologias e, assim, encontrem soluções inovadoras para os antigos problemas que afetam nossa população_. - Maria Isabel Mejia_
_ (Crédito da imagem: Unsplash) _

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