A entrevista foi conduzida por Ula Rutkowska (Pesquisadora Sênior, Apolitical) e editada por Christina Obolenskaya (MSc em História Internacional, LSE e Estagiária de Comunicações, Apolitical). Marloes Pomp foi nomeada na lista da Apolitical Government AI 100 2025.
A IA tem o potencial de transformar os serviços públicos, mas navegar pelo cenário regulatório continua sendo um dos maiores desafios para os governos. Enquanto a Europa liderou o caminho na governança da IA, o equilíbrio entre fomentar a inovação e impor regulamentações está se tornando cada vez mais evidente. Os governos podem criar políticas que permitam que a IA floresça enquanto mantêm a supervisão e a confiança pública?
Marloes Pomp, Vice-Presidente do Fórum Europeu de IA, explica que o foco regulatório atual corre o risco de sufocar a inovação. Nesta entrevista, ela compartilha sua perspectiva sobre a necessidade urgente de uma nova abordagem—uma que equilibre governança com progresso tecnológico, abrace a descentralização e repense a liderança no espaço da IA.
A Europa tem sido líder na governança da IA, mas muitas vezes há tensão entre fomentar a inovação e impor regulamentações. Como esse equilíbrio pode ser efetivamente alcançado?
É bom ter regulamentação de IA, mas tem havido muita atenção na regulamentação e menos na inovação. O equilíbrio não está presente neste momento, e é difícil dizer como podemos alcançá-lo. Há investimentos anunciados pela Europa para fomentar a inovação, mas não tenho certeza se isso será suficiente porque grandes empresas de tecnologia—como a OpenAI—já têm sua posição.
Não se trata apenas de dinheiro – precisamos de mais do que isso. Há também um sentimento compartilhado de preocupação com o ritmo de crescimento, a diminuição da produtividade do trabalho e a baixa ambição.
Especialmente nos Países Baixos, estamos bastante bem organizados e temos expertise em setores específicos como alimentos, saúde, e temos grandes empresas como ASML, Adyen e Cradle. Temos o potencial para destacar a IA. A tecnologia está lá. Os empreendimentos estão lá. Mas onde está o capital? Onde está o governo para fornecer as condições de estrutura adequadas? Onde está a prioridade para parar de falar e começar a construir?
O maior problema é que as pessoas adormeceram—parece que não sentimos a urgência. Nos acostumamos com o normal atual. Parecemos estar tomando nosso desempenho passado como garantido. Tudo continua se movendo, mas sem um senso de urgência, não avançaremos. E essa é a maneira mais eficiente de impulsionar a inovação—criando essa urgência. Alguns países na Europa, como a Estônia e todos os países na fronteira com a Rússia, sentem um senso de urgência, mas nos Países Baixos e na maioria dos países da Europa Ocidental não sentimos isso. Precisamos ser mais ousados e ousar fazer escolhas.
