Este artigo foi escrito por Ana Beatriz Estevez Ferreira, Assessora de Transparência, Inovação e Dados Abertos, Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes.
- O problema: A utilização de uma linguagem complexa e repleta de jargões dificulta a compreensão generalizada da informação, criando barreiras à comunicação eficaz e impedindo a compreensão, especialmente para públicos com menor familiaridade educacional ou cultural.
- Por que é importante: A linguagem simples é importante porque facilita a compreensão e promove a acessibilidade à informação para diversos públicos.
- A solução: Implementar políticas que promovam o uso de linguagem simples no setor público.
Apesar dos avanços globais na educação, o desafio do analfabetismo persiste em diversas partes do mundo, e o Brasil não está imune a esta realidade. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem um total de 10 milhões de analfabetos. Contudo, a abordagem para superar este desafio não precisa ser complexa.
O compromisso com a linguagem simples transcende fronteiras, construindo pontes de entendimento.
A linguagem simples é uma prática comunicativa que transcende fronteiras. Países de todo o mundo reconheceram os benefícios da adopção de uma abordagem clara e acessível na comunicação governamental . Ao simplificar a linguagem, os governos podem atingir um público mais vasto, desde aqueles com baixos níveis de educação até estrangeiros que procuram compreender as políticas e orientações de um país.
Vários países implementaram políticas eficazes de linguagem simples; O Canadá, por exemplo, estabeleceu directrizes para uma linguagem clara em documentos oficiais, promovendo assim a transparência e a participação dos cidadãos. Na Austrália, iniciativas semelhantes mostraram resultados positivos na promoção da inclusão e da compreensão entre uma população diversificada.
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Segundo Michael Kremer, vencedor do Prémio Nobel de Economia e professor da Universidade de Harvard, “a informação transmitida de forma incompreensível aos mais pobres pode ser um obstáculo maior ao desenvolvimento económico do que a falta de tecnologia ou de interesse governamental”. É neste contexto que a linguagem simples vai além da mera simplificação linguística. Representa uma oportunidade para construir pontes entre diferentes grupos sociais, culturas e níveis educacionais. Ao adotar uma linguagem clara, os governos podem facilitar a compreensão de informações cruciais, promovendo assim uma cidadania mais informada e engajada, ao mesmo tempo que contribuem diretamente para a redução de erros. Quando as informações são transmitidas de forma inequívoca, a probabilidade de erros e, consequentemente, de retrabalho é significativamente reduzida. Isso otimiza processos administrativos e economiza recursos.
Como usar linguagem simples
- Conheça e teste a linguagem com seu público-alvo: Antes de começar a se comunicar, entenda quem é o seu público. Conhecer as suas características demográficas, educacionais, linguísticas e culturais. Este conhecimento será crucial para adaptar a sua comunicação de acordo com as necessidades específicas do público.
- Evite termos técnicos: Elimine o uso desnecessário de termos técnicos. Opte por palavras comuns e frases simples que sejam compreensíveis para um público amplo. Se os termos técnicos forem inevitáveis, forneça explicações simples para garantir a compreensão.
- Priorize frases curtas e objetivas: Opte por frases curtas e objetivas. Evite construções complexas que possam confundir o leitor. Comunique suas mensagens diretamente, destacando informações essenciais.
- Utilize exemplos e analogias: Tornar conceitos abstratos mais concretos por meio de exemplos e analogias facilita a compreensão. Relacionar informações complexas a situações cotidianas ajuda o público a assimilar conceitos de forma mais eficaz.
- Organize as informações de forma lógica: Organize suas informações de forma lógica e sequencial. Use títulos e legendas para destacar os pontos principais. Uma estrutura clara facilita a absorção das informações, mesmo para quem tem menos familiaridade com o assunto.
- Utilize recursos visuais: Acompanhe o texto com recursos visuais como gráficos, tabelas e infográficos. Esses elementos visuais podem complementar efetivamente as informações, tornando-as mais acessíveis e fáceis de entender.
- Promova a acessibilidade: Considere a acessibilidade em todas as formas de comunicação. Utilize fontes legíveis, cores contrastantes e formatos acessíveis para garantir que sua mensagem seja compreendida por pessoas com diferentes necessidades, como deficiência visual.
O compromisso com uma linguagem simples transcende fronteiras, construindo pontes de entendimento num mundo cada vez mais interligado.
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(Crédito da imagem: Pexels )

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