A entrevista foi conduzida por Ula Rutkowska (Pesquisadora Sênior, Apolitical) e editada por Christina Obolenskaya (Mestre em História Internacional, LSE e Estagiária de Comunicação, Apolitical). Pamela Krzypkowska foi nomeada na lista da Apolitical Government AI 100 2025.
Os servidores públicos na Polônia estão prontos para adotar a IA, ou a tecnologia ainda gera incertezas? Para Pamela Krzypkowska, a IA apresenta uma oportunidade para aprimorar a administração pública.
Nesta entrevista, Pamela discute a transformação digital da Polônia e o desenvolvimento do PLLuM, o primeiro grande modelo de linguagem do país voltado para a administração pública. Projetado para simplificar processos e apoiar equipes governamentais sobrecarregadas, o PLLuM é um passo em direção a tornar a IA uma ferramenta prática e integral para o serviço público.
Mas integrar a IA não é apenas uma questão de tecnologia — é também uma questão de confiança. Com as atitudes públicas em relação à IA mudando, a comunicação clara e a implementação responsável são essenciais. Pamela compartilha como o foco da Polônia em pesquisa social quer acompanhar essas percepções e explica por que a transparência é fundamental nesse ambiente. Esta conversa explora como a Polônia está trabalhando para garantir que a IA seja uma ferramenta que funcione para o público, e não contra ele.
Q: Quais são alguns dos maiores desafios em liderar a estratégia de digitalização da Polônia, particularmente ao integrar a IA nos serviços públicos?
Um deles é que a política e a regulamentação nunca acompanham a inovação tecnológica no mesmo cronograma. Sempre precisamos de algum tempo para nos adaptar, o que cria desafios para a administração pública. Por um lado, a administração pública precisa ser flexível para acomodar os avanços tecnológicos. Mas, por outro lado, é justificadamente não tão flexível porque lidamos com dinheiro público, o que vem com um grande nível de responsabilidade.
O maior desafio na adoção da IA é o medo público, especialmente em relação à segurança no emprego. Com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), estamos conduzindo uma pesquisa sobre o impacto da IA nos empregos, no contexto da economia polonesa. Além disso, estamos planejando uma pesquisa mais aprofundada sobre as atitudes públicas em relação à IA. Começamos a chamar isso de "barômetro de IA" — onde podemos acompanhar como as percepções sobre a IA evoluem. As narrativas da mídia muitas vezes se concentram em preocupações extremas, desde a IA assumindo empregos até cenários mais distópicos, o que alimenta a ansiedade. Nosso objetivo é comunicar que a IA é simplesmente uma ferramenta — uma que deve trabalhar para nós — e destacar as possibilidades de colaboração entre humanos e IA.
